segunda-feira, 6 de abril de 2009

CÂMARA MUNICIPAL DE CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM


INSTALAÇÃO DA CÂMARA:
No dia 25 de março comemora-se a emancipação política de Cachoeiro de Itapemirim. A história nos conta que a Lei Provincial nº 11, de 23 de Novembro de 1864, elevou a Freguesia ou distrito Paroquial de São Pedro do Cachoeiro de Itapemirim à categoria de Vila, cujos limites estendiam-se até os Estados de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. No entanto, a nova Vila só veio a separar-se definitivamente de Itapemirim a 25 de Março de 1867, data da instalação de sua primeira Câmara Municipal. Desde então, Cachoeiro vem construindo sua história de independência, pioneirismo e trabalho.
Na sessão de instalação da Câmara Municipal de Cachoeiro, sete membros estavam presentes:
- Cel. Francisco Xavier Monteiro da Gama (Presidente)
- Dr. Joaquim Antônio de Oliveira Seabra
- Dr. Antônio Olinto Pinto Coelho
- Capitão Francisco de Souza Monteiro
- Capitão Pedro Dias de Prado
- Capitão José Vieira Machado
- Major Misael Ferreira de Paiva

PRESIDENTE DA CÂMARA ERA PREFEITO:
O cargo de presidente da Câmara era exercido por um dos vereadores, eleito pelos seus pares. O Presidente acumulava as funções executivas, isto é, ele era também o "prefeito" da cidade. Isto aconteceu até 1914, quando foram criadas as Prefeituras do interior do Espírito Santo. Em Cachoeiro, o primeiro Prefeito foi o Coronel Francisco de Carvalho Braga.

ARTISTAS COMEMORAM PROGRESSO POLÍTICO:
A instalação da primeira Câmara de Cachoeiro deu-se em uma solenidade austera, bem ao estilo da época. Isto não agradou à comunidade artística da cidade, ativa e participante, que organizou um pequeno desfile para comemorar o evento. Um estandarte trazia os seguintes versos:


"Dos Artistas à Municipalidade"

Ao dar-se mais um passo ao progresso,
Não podemos deixar de vir saudá-lo,
Nós artistas, nós, filhos do trabalho,
Sabemos dar-lhe o peso, apreciá-lo!

É pobre a nossa oferta, mas sincera,
Erguemos com prazer a saudação,
Do peito rude, mas aberto e franco,
Deixamos transluzir o coração!

No entanto, só nós, pobres artistas,
Saudamos este dia, prazenteiros,
Com mágoa vemos todos impassíveis,
Aqueles que deviam ser primeiros.

Se o ato que hoje vem se consumar
Nos deve abrir a senda de um futuro,
Como devemos nós ser impassíveis
Deixando-o imerso no silêncio obscuro.

Honra a nós, meus irmãos, honra aos artistas
Os primeiros a saudar com alegria,
O rasgar dessa noite do passado
E o surgir do futuro à luz do dia!


CÂMARA INAUGURA PONTE E APÓIA ABOLICIONISMO (1887):
Quando foi criada a Câmara Municipal de Cachoeiro, em 1867, a cidade era unânime ao afirmar que a construção de uma ponte ligando os dois lados da cidade era a prioridade máxima do momento. Assim, os primeiros Presidentes da Casa, que também tinham as prerrogativas de "prefeitos", debruçaram-se sobre a questão. Em 1883, o Presidente da Província do Espírito Santo enviou à Câmara dois contos e quinhetos para que se iniciasse a obra, e assimfoi feito.A primeira Ponte Municipal foi inaugurada em 11 de junho de 1887, no auge da campanha abolicionista. O Presidente da Câmara Municipal, Carlos Bernadino Maciel, fez um discurso inflamado, valendo-se da oportunidade para dar carta de alforria so seu escravo André, e pondo seiscentos mil réis à disposição do Juiz de Orfãos, para libertar a escrava Beatriz, do médico italiano Dr. Salvador Rizzo, a qual foi logo declarada liberta, segundo as publicações da época, "por ser aquele seu valor legal". Outro discursante, o vereador Dr. Joaquim de Oliveira Seabra, sogro do Dr. Rizzo, declarou liberto o seu escravo Vidal. Dessa forma, a Câmara de Cachoeiro destacou-se no cenário político do Império como um dos pontos de apoio à campanha pela libertação dos escravos.

CÂMARA COMEMORA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA:
A notícia da proclamação da República chegou a Cachoeiro, através do telégrafo, em 16 de novembro de 1889 - portanto, um dia depois de ocorrida. No dia 21 de novembro, a Câmara Municipal reuniu-se em sessão extraordinária, a fim de manifestar-se sobre a nova forma de governo do país. Estavam presentes os vereadores Dr. Novaes Mello e Capitão José Gonçalves Ferreira. O vereador Novaes Mello apresentou uma moção reconhecendo o Governo Provisório do Brasil, que foi aprovada por unanimidade. Na ocasião, foi retirado da sala de sessões o retrato de D. Pedro II, que foi presenteado ao coletor Antônio das Neves Marins. Em prantos, ele declarou: "Obedeço às leis de meus país, mas recebo em meus braços este retrato e guardo-o".
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